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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Das palavras II

Ele é bonzinho, ela, bonitinha. Por mim, tanto faz. Também te amo. Talvez. Ai, que raiva que me dá! Toda essa indiferença, essas palavras porcamente escolhidas, nem um pouco queridas, mal nascidas. Dentre todas, o também. Como arde ouvir.
Vou tentar explicar; é assim, você ama perdidamente tal pessoa, está sufocantemente apaixonado. Tenta liberar essa explosão e o que ouve? Um também. Dói a não reciprocidade. É nessa hora que você percebe que está sozinho na barca, amigo. Também é um puro desabafo mal encaixado da obrigação de completar um silêncio inconveniente, revelador.



*Trecho do filme The Dreamers (Os Sonhadores), de Bernardo Bertolucci - altamente recomendado.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Penseiro esperando o trem

Quando resolvi criar esse blog, não sabia ao certo sobre o que falaria, o título que poria, e se vos agradaria. Lembro de pedir ajuda aos amigos, sugestões, imposições, alguém prepara tudo pra mim que eu só quero chegar! Teve uma conversa específica, a qual quero citar; Estava conversando com o comparsa Thiago Lins e falei algo sobre querer ser como Guimarães. Ele riu, eu me conformei, esqueci.
Quis ser como muitas pessoas nesse meio tempo, inclusive como eu mesma. Uma dessas pessoas foi Chico Buarque. Estava completamente encantada pelo homem. Foi nesse encanto que li o seguinte trecho sobre Pedro Pedreiro:

Teve uma época que eu só lia Guimarães Rosa. Eu queria ser Guimarães Rosa. [...] Quando gravei minha primeira música – hoje eu me envergonho um pouquinho disso, porque é difícil você querer ser Guimarães Rosa –, inventei esse “penseiro”, é claro que pra fazer uma rima, uma aliteração [...] mas era aquela coisa de achar que pareceria Guimarães Rosa. Parece nada.*

Já quis ser Guimarães Rosa, já quis ser Chico Buarque, já quis ser como o Chico que quis ser como Guimarães. E eu fico penseira, imaginando se este já quis ser outra pessoa.

* Trecho retirado do livro Histórias de canções: Chico Buarque.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Das palavras

Essas letras combinadas sempre me chamaram a atenção. Tem palavras que soam erradas, algumas parecem vindas de outra língua. Lembro-me do sofrimento que foi quando era criança e tive que aceitar cérebro ao invés de célebro, que sempre foi tão sensato e natural, menos racional. Teve ainda algumas das quais a origem é duvidosa, “ponto A” sempre me estica um biquinho à francesa – e as aulas de geometria traziam esse glamour. E acho um absurdo falar muito e não poder expressar que delícia é falar muinto! Agora, inaceitável mesmo foi, com quase duas décadas de aprendizado, descobrir o mundo do entretenimento e deixar o entreterimento. Renasci.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

FIAT LUX

Deu à luz o nome de dia e às trevas o nome de noite e da tarde e da manhã se fez o primeiro dia. A palavra veio antes da matéria e assim também se concretizam meus pensamentos.