quarta-feira, 9 de junho de 2010

Luís Augusto May: o jornalista que fez arder o Império

“Quando se diz acerca dos negócios do Estado: Que me importa? Deve-se contar que o Estado está perdido”
Jean-Jacques Rousseau
Luís Augusto May foi um importante jornalista na época da Independência e do Império no Brasil. O lisboeta nasceu em 1782, e com 16 anos alistou-se nas forças armadas de Portugal, chegando a se tornar capitão de artilharia. Estudou em Coimbra como seminarista e fez parte do Batalhão Acadêmico, resistência à ocupação francesa no país. May foi funcionário da Secretaria da Legação Estrangeira em Londres antes de vir ao Brasil, em 1810, trabalhar como intérprete dos trabalhadores suecos da Real Fábrica de Ferro São João do Ipanema, em Sorocaba, interior de São Paulo.


Ao final do ano de 1821, o Brasil vivia um cenário político instável. As Cortes portuguesas lançavam decretos a fim de submeter o país novamente a Portugal, com a retomada do pacto colonial e retorno do príncipe regente à capital lusitana. Porém, isso já não era mais possível, pois a população que aqui vivia já havia tomado gosto pelo comércio, pela relativa liberdade e principalmente pelo poder da imprensa. É nesse fervor que, em 18 de dezembro, surge o último jornal desse mesmo ano: A Malagueta, obra de Luís Augusto May.


Tratava-se de uma publicação em primeira pessoa e direcionada ao imperador D. Pedro I. Era independente do Revérbero Constitucional Fluminense e do Grupo dos Andradas, que dominavam a imprensa carioca e funcionavam com aval do governo. Até por isso, o feito de um homem comum como Luís Augusto May é considerado muito importante para as proporções da época: conquistou 500 assinaturas na Corte, se tornando o jornal de maior circulação.

Como era de costume do jornalismo daquele período, a informação era colocada em segundo plano em detrimento das opiniões – e o despertar destas é o fator que mobilizaria a população para unir-se contra as atitudes de recolonização, e por isso a imprensa teve um papel muito importante no processo de independência. No caso da Malagueta, essas opiniões refletiam o estilo de seu realizador, “cheio de circunlóquios, de observação de duplo sentido, de falsa subserviência”, como descreve Isabel Lustosa, em seu livro Insultos impressos. Em seus textos concentravam críticas liberais ao governo, principalmente a José Bonifácio, velho conhecido dos tempos de Batalhão Acadêmico. Esse posicionamento, na maioria das vezes irônico e provocante, somado ao caráter ambicioso – “May gostava de um cargo público, de uma condecoração”, já diria Lustosa - lhe renderia algumas retaliações futuras.

Exemplo disso foi o fato que não demorou a acontecer: May teria tirado a Malagueta de circulação com o objetivo de ser nomeado a um cargo no exterior. Não obtendo sucesso, ameaçou voltar com a publicação, em oposição ao governo. Assim, se deu início à uma série de desavenças com outro jornal: O Espelho, no qual o próprio imperador escrevia sob pseudônimos. Em uma das publicações envolvidas e de possível autoria de Dom Pedro, era questionado o caráter do opositor, além de denunciar um relacionamento homossexual com o Conde das Galveias e acusá-lo de furtar documentos do Conde de Funchal. Não bastando, o violento ataque ainda descrevia, em linguagem chula, as características físicas do mesmo. O caso não acabaria por aí. Ao revidar com a Malagueta nº2 (em 5 de junho 1822), May foi espancado em sua própria casa, no dia seguinte à publicação.

Essa não seria a última represália sofrida por ele. Em agosto de 1829, sofreu outra agressão quando estava andando na rua, acompanhado de Cunha Matos. Nessa ocasião, Luís Augusto May era deputado, cargo que exerceu duas vezes em sua vida: em 1826 e em 1829. A última malagueta circulou em 31 de março de 1832 e, após as repressões sofridas por seu realizador, não foi mais a mesma, sua visão política estava mais branda. Luís Augusto May faleceu com 68 anos, em 1850, no Rio de Janeiro.

*Trabalho de História da Comunicação - Perfil de personagem da imprensa

quinta-feira, 27 de maio de 2010

We surf the internet. We swim in magazines.

The Internet is exhilarating. Magazines are enveloping. The internet grabs you. Magazines embrace you. The Internet is impulsive. Magazines are immersive. And both media are growing.

Barely noticed amidst the thunderous Internet clamor is the simple fact that magazine readership has risen over the past five years. Even in the age of the Internet, even among the groups one would assume are most singularly hooked on digital media, the appeal of magazines is growing.

Think of it this way: during the 12-year life of Google, magazine readership actually increased 11 percent.

What it proves, once again, is that a new medium doesn’t necessarily displace an existing one. Just as movies didn’t kill radio. Just as TV didn’t kill movies. An established medium can continue to flourish so long as it continues to offer a unique experience. And, as reader loyalty and growth demonstrate, magazines do.

Which is why people aren’t giving up swimming, just because they also enjoy surfing.


Get the facts


O que você acabou de ver é parte da campanha "Magazines. The Power of Print", desenvolvida pelos líderes das cinco maiores companias de revistas: Charles H. Townsend, Condé Nast; Cathie Black, Hearst Magazines; Jack Griffin, Meredith Corporation; Ann Moore, Time Inc.; Jann Wenner, Wenner Media, junto a Magazine Publishers of America.
Achei engraçado como isso chegou a mim: meu pai, a pessoa mais apocalíptica em relação às velhas mídias (ele com certeza dirá que o estou difamando novamente), comprou a revista Backpacker de maio/2010. Deu de cara com que?


Uma dupla página de propaganda da campanha, que tem corrido nas principais publicações do mundo. Além disso, vídeos estão sendo feitos e publicados na internet. Nenhuma combinação melhor: revistas + internet. Porque não? Será o iPad mesmo o fim do cheiro de revista nova, do gosto de abrir sua assinatura mesmo que não vá lê-la, de sujar os dedos com os jornais, de guardar aquela papelada que ataca sua rinite? Seguem alguns vídeos, reflitam.






terça-feira, 18 de maio de 2010

Travessia

Pessoas do aconchegante vale, sei que o fim de semana será agitado com a virada que não vira (confira a programação), mas vale a pena fechá-lo com chave de ouro:

Com mais de 40 prêmios no currículo, Grupo Tecelagem

apresenta TRAVESSIA

O espetáculo Travessia traz o sertão de Guimarães Rosa para a sala cênica do Espaço Tecelagem no domingo, dia 23 de maio.

Nesta adaptação, o Universo de Guimarães Rosa sai do campo das letras para estimular nossa memória. Baseado em contos de “Sagarana” e “Primeiras Estórias”, o espetáculo Travessia aborda a experiência de um vaqueiro que parte levando uma boiada em uma travessia pelo sertão. No meio desta travessia vai contando suas estórias, seus medos, suas dores e seus amores.

Cerca de 40 prêmios e muitas indicações no currículo demonstram todo o comprometimento e paixão do Grupo Tecelagem pela arte teatral. Além de levar a edição 2007/2008 do Mapa Cultural Paulista (mostra da Secretaria de Estado da Cultura), entre os prêmios mais importantes estão os de melhor espetáculo em festivais no estado de São Paulo como de Tupã, Atibaia, Mogi das Cruzes, Marília, Santa Bárbara D’Oeste, Limeira e Avaré; no Paraná, das cidades de Ponta Grossa e Campo Mourão; e em Rezende, estado do Rio de Janeiro.

Info: Espaço Tecelagem - Rua São Jerônimo, 311 - Jardim das Indústrias (ao final da rua do antigo cafezal, em frente à pracinha - perto da padaria Nebraska)

MULTIPLIQUE A CULTURA

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Da arte de estacionar

Era sábado e meu pai e eu estávamos a caminho do supermercado. Assim como em todo dia que se é preciso recorrer a um estacionamento, fazia um sol escaldante e poucas vagas sobreviviam no combo felicidade: disponível e com sombra. Como era esperado, as melhores eram as reservadas a idosos e deficientes físicos. Nos contentamos com uma sem cobertura, porém próxima do nosso destino. Como tínhamos muita fome e pouca disposição, era uma posição estratégica, apesar de estarmos literalmente iluminados, e nesse caso não do lado bom da coisa.

Saindo do carro, durante o pequeno percurso até a santa sombra da entrada do supermercado, o assunto girava em torno de um caso de agressão que acontecera na semana anterior. Um senhor de uma idade considerável chamara atenção de um homem que estacionava em uma vaga reservada, sem necessidade. Este, duplamente irresponsável, bateu no velho até que seguranças interferiram na situação.
– Odeio quem estaciona nessas vagas sem precisar – concluí.
– Eu também, devia ter uma fiscalização maior, mas até que aqui as pessoas respeitam – disse meu pai, mostrando a quantidade de vagas reservadas livres em relação ao estacionamento praticamente lotado.

As pessoas ao nosso redor podiam escutar a conversa e nos encaravam com ar de descrédito. Quando olhei com mais atenção, percebi algo constrangedor:
– Pai, aquele carro não é o nosso? – eu disse, apontando para o local que ele tinha indicado.
– Nossa, nem percebi que estacionamos lá. Ah, vai ser rapidinho no supermercado.


*Trabalho de Língua Portuguesa - Elaboração de crônica

sábado, 24 de abril de 2010

O rebanho segue fiel

Em meio a escândalos de pedofilia, fiéis negam mudar seu relacionamento com a Igreja Católica.
O jornal americano The New York Times afirmou que o Vaticano tinha conhecimento, mas não tomou nenhuma providência sobre o caso do reverendo Lawrence Murphy. De acordo com a reportagem, o reverendo teria abusado sexualmente de 200 crianças surdas de uma escola de Wisconsin, entre 1950 e 1974. Na época, o cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento XVI, era chefe da Congregação para Doutrina da Fé, e, portanto, responsável por tratar de questões disciplinares da Igreja. Porém, a notícia não era nova: em 2006, foi publicada pela BBC a mesma acusação de acobertamento do Papa em relação a outros casos de pedofilia. Na mesma época, o canal de notícias divulgou um documentário tratando sobre o tema: Abusos Sexuais e o Vaticano.

Em cinco anos de papado, Bento XVI protagonizou uma série de polêmicas como a citação de um comentário depreciativo sobre o Islã em uma palestra em 2006 – irritando os muçulmanos; o apoio para a canonização do controverso Papa Pio XII durante a Segunda Guerra Mundial e, em 2009, a tentativa de reabilitar um bispo que nega o Holocausto. Frente a mais um panorama de escândalo, a Igreja enfrenta acusações da mídia e até mesmo de membros dela, como é o caso de Hans Küng, contemporâneo de Ratzinger e teólogo suíço, que afirma ser essa a “pior crise de credibilidade desde a Reforma.” Uma desmoralização da Igreja é posta em cogitação e com ela uma possível crise com seus fiéis.

Ao contrário disso, há quem pense que o escândalo é fruto apenas de um sensacionalismo midiático e que os fiéis não vão se abalar. É o que diz Padre Antônio Silva, Juiz do Tribunal Eclesiástico de Aparecida, em entrevista concedida para essa reportagem: “Certamente existe sensacionalismo. É lamentável que se empregue a comunicação pondo em destaque abusos como abortos, traições, trapaças e tantas outras misérias, desanimando o que é útil e bom. De tanto ter que ver a sujeita, a gente começa a ter medo de ser limpo. Mas isso interfere muito pouco nos cristãos normais, eles já viram e continuam vendo tantas falhas tão ruins em nossa sociedade como assassinatos, infidelidades, assaltos, roubos, guerra de drogas, que sabem que ser bom em algumas horas dá trabalho, mas ser honesto é preciso, ser heróico e chegar à santidade capaz de colocar como modelo no altar é raríssimo. Sendo inteligente conseguimos distinguir a liberdade de ser bom, sabendo também quantas vezes erramos diariamente. Basta abrir os olhos para ver o bem e o mal.”

Do mesmo modo, ao ser questionado sobre o que achava da polêmica, Antônio Carlos Piantino, 52 anos, freqüentador da Paróquia de São João Batista há 22 anos, declara: “O padre não é um deus, é um homem sujeito a todas as fases, todos os erros humanos. Às vezes temos aquele pensamento que nem condiz com a formação da gente, tem que tomar muito cuidado. Acontece com padre, com quantos outros também não acontece? A mídia não tem espaço pra falar de todo mundo, então fala de uma classe que gera notícia, vende. É bom quando gera discussão e as pessoas podem aprimorar normas. A Igreja tem que ter um papel mais forte em relação a isso. Acho que tem que assumir essa responsabilidade, tirar fora quem comete abusos.”

Lúcia Goulart, 47 anos, acredita que a crise é um problema da Instituição, que não tem trabalhado bem com os abusos sexuais cometidos pelo clero: “Eu mesma já acompanhei um caso de um noviço nesses termos e fiquei decepcionada em como a coisa foi cercada, excluída, não informada. Isso fez com que eu me afastasse um pouco da participação mais ativa enquanto leiga que participa das atividades de movimento, mas não questionei a minha fé. Agora, com certeza isso motiva alguém que já tem um problema coma Instituição, que não entende muito bem o que é a instituição, religião, fé. Acho que diferentemente do Papa João Paulo II, que era aberto à comunicação, o atual Papa é mais interessado em qualidade e não quantidade de fiéis. Ele é muito germânico, intelectual, não é aberto à comunicação. Talvez com a crise isso mude, acho que vai ser bom.”

Para amenizar a situação, Bento XVI tem reforçado sua política quanto ao assunto, estimulado as denúncias de casos, tratando-os com mais severidade, além de visitar vítimas de abusos, buscando, talvez, o carisma que ficou no papado anterior.

*Resolução de pauta - Trabalho de Jornalismo Básico I

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Todas as margens

Me depositem também numa canoinha de nada, nessa água, que não pára, de longas beiras: e, eu, rio abaixo, rio a fora, rio a dentro - o rio.

Em sua análise sobre o conto A Terceira Margem do Rio, de João Guimarães Rosa, Luiz Costa Lima diz que o Pai do narrador coloca-se “no centro, na raiz proibida ao humano”, ou seja, ele morre e aceita sua vez de partir. Essa atitude é incomum, pois o conceito de morte e o que vem após ela, além da aceitação de abrir mão da vida sem relutância extrema e é inconcebível em termos de razão humana. Essa mesma razão é limitada pela impregnação mágica estilística contida na história. Em vez dessa magia apenas introduzir um universo aquém do possível imaginável, ela demonstra uma racionalidade radical de quem não aceita partir para a terceira margem, uma margem do Além. É nesse ponto que o narrador para, não aceitando a troca proposta dos lugares e mantendo “o seu compromisso com o reino do humano, onde persiste no desconhecido da insegurança.” Sendo assim, existe um duplo comprometimento com o esse reino: o personagem é mortal e efetivamente morre, cumprindo seu ciclo vital; mas não encara a vez de morrer, persistindo no desconhecido da insegurança que aflige todos os pertencentes à margem real do rio, a da vida.
É para se chegar nesse ponto - o da morte do personagem Filho, que Walnice N. Galvão, ainda sobre o mesmo conto, diz que “tem-se que encarar nossa vez de morrer, mas detendo a opção, não de não morrer, mas de não encarar a nossa vez de morrer”, completando ainda que “esta última é a que o narrador faz”, ou seja, ele morre – inevitavelmente como todos os humanos, e como a maioria deles, não encara sua vez de partir. Essa explicação de Walnice deixa inevitável o entendimento de uma mensagem possível do conto: todos nós morreremos e não obtemos a possibilidade de assim não o fazer, o que está ao nosso alcance é apenas aceitar ou não esse momento, como fizeram o pai e o filho, respectivamente.
Sendo assim, podemos perceber que ao tratarem desse conto de João Guimarães Rosa, Luiz Costa Lima e Walnice N. Galvão tomam posições de confluência, apesar de não expressadas com as mesmas palavras: ambos analisam os personagens por sua habilidade de aceitar ou não sua conclusão do ciclo vital, concordando que a atitude primeira do Pai é contrária à reação final do filho.


*Esse texto é um trabalho baseado no conto A Terceira Margem do Rio, presente no livro Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, e nas análises do mesmo feitas por Walnice N. Galvão e Luiz Costa Lima.

sábado, 20 de março de 2010

A.

Nunca achei que fosse ser tão difícil falar de mim como alvo, fazer um auto perfil. Eis que me surge o primeiro trabalho da faculdade. Protagonizando.

Já era quase noite na cidade de São Paulo, numa tarde do verão de 1990, quando nasceu Amanda Rezende Nogueira. Segunda filha entre quatro irmãos, alguma posição em uma família de treze tios, cada um com, em média, dois filhos – o que lhe dá uma margem de 38 primos próximos, contando alguns de segundo e terceiro grau. Seria um fato corriqueiro para famílias desse porte, mas a futura jornalista garante que, apesar de sua avó a chamar erroneamente pelo nome de sua mãe, de uma tia e de uma prima antes de acertar o seu, não se sente menos especial ou querida. “É incrível como em uma situação como essa, cada um de nós consegue ser único, ter um diferencial e se sentir querido. Gosto de olhar um retrato que tenho com minhas primas: uma ruiva, uma morena, e outra de cabelo enroladinho. Mostra bem o que é a minha família”. Alguns anos depois, viriam ainda mais dois pequenos irmãos, “motivo de maior felicidade e orgulho que posso sentir, e causa de algumas tardes perdidas como babá”, declara toda boba.

Foi em meio a tantas pessoas que Amanda cresceu, na região do Vale do Paraíba, interior do estado de São Paulo. Gosta das regalias das cidades pequenas, apesar de São José dos Campos, para onde volta da capital aos finais de semana, já ser grande o suficiente para algum estresse no trânsito. “Não é nada como São Paulo, mas [São José dos Campos] já está bem grande: tem o INPE, o ITA, a Embraer, o que acabou atraindo muita gente. Ainda assim, conserva um jeito de interior, um ar mais puro, pessoas mais amigáveis, parques e praças próximos de casa... Posso fazer tudo tranquilamente.”

Fotografia e literatura sempre fizeram parte de sua vida, mas foi durante a adolescência que a menina tomou gosto por isso. “Ganhei uma câmera fotográfica do meu pai e tirava foto de qualquer coisa, levava nos passeios de escola e em festas de família. Passei a gostar muito do hobbie. Hoje tenho um portfólio que tento atualizar na medida em que posso.” Começou lendo livros infanto-juvenis como “Alice no País das Maravilhas” e “Harry Potter” e não parou mais. Quando criança chegou a escrever um livro para concorrer a um concurso na escola: “terrível”, confessa com vergonha. Entre seus autores prediletos encontram-se João Guimarães Rosa, Machado de Assis e Hunter Thompson.

A música era algo além: “Meu pai tocava violão e eu gostava de acompanhá-lo cantando. Tínhamos até uma música nossa, ‘Leãozinho’, de Caetano Veloso, e antes que façam qualquer comentário engraçadinho, quero esclarecer que sou mais velha que a Mallu Magalhães”, conta fazendo graça sobre o fato de a jovem cantora compartilhar da mesma canção com o pai. Foi tomando gosto pela música que, aos 12 anos, entrou no conservatório musical para aprender a tocar violino, mas logo parou para se dedicar aos estudos para o vestibular. “Entrar numa faculdade foi o maior desafio pelo qual passei, travava em toda prova”. Mal ela sabia que aquela vida tranqüila logo acabaria com sua ida para São Paulo.

No final do ano de 2009, prestes a completar 20 anos passados daquele primeiro verão, Amanda passou no vestibular para Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. Mudou-se para São Paulo e começou uma nova fase de sua vida, buscando se tornar jornalista em uma cidade tão conturbada e culturalmente rica. “Minha relação com São Paulo é ambígua, amo ter a possibilidade de fazer qualquer coisa, a qualquer hora que eu queira. Gosto dessa diversidade de pessoas, de programas, de acontecimentos. Sem dúvida aqui é o lugar ideal para quem é da área de comunicação. Acontece que preciso normalizar muita coisa para viver com a consciência no lugar, é preciso normalizar a fome, a desigualdade, a violência, e de uma forma muito mais intensa do que em outros lugares. Morar aqui é sensacional e ao mesmo tempo muito triste.”

Ao ser indagada sobre a escolha da profissão, Amanda, ainda com a visão ignorante de caloura, justificou dizendo que acha a profissão “fascinante, daquelas que, se bem exercida, tem um retorno muito gratificante, permite o contato direto com a sociedade e a efetiva interferência nela.”

*Autoperfil - Trabalho de Jornalismo Básico I